CORDEL DAS COISAS DE FLORÂNIA

Com um pouco de atraso, estamos disponibilizando o Cordel das Coisas de Florânia que foi lançado no último dia 27 de janeiro, dentro do Sarau Cultural em comemoração ao 1º aniversário do blog.

Cordel das Coisas de Florânia
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Florânia Terra das Flores
Das noites de São João
Das festas tradicionais
E do mártir Zé Leão
Protegida pelas setas
Do Santo Sebastião.

Do parque de Chico do Saco
Uma eterna brincadeira
Do vaqueiro e caçador
Das coisas de “mei” de feira
Do teatro de Zé Damasceno
E da vistosa Gameleira.

No alto se ver o Monte
No centro a arquitetura
No campo o homem trabalha
Na luta da agricultura
Nossa história preservada
Lá na Casa de Cultura.

Recanto de Dona Santa
E de Cosme de Abreu
Sem esquecer Atanásio
Que a grande peste venceu
E assim ergueu uma capela
Num ato que comoveu.

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Florânia das grandes mestras
Dona Candoca a primeira
Zelinda e Almira Félix
Dona Gracinha Pereira
Imaginem todas juntas
Na sombra da gameleira.

Lugar de esportistas natos
Com grande veneração
Chico de Neci e Oscar
E o lendário Manelão
Dedé Coró e Manoel Cícero
Formam um time campeão.

Berço de nossas origens
Bugi Vermelho e Flores
No vale Rossaurubu
Florânia tem suas cores
Palco para os seresteiros
Cantarem os seus amores.

Pelo Palácio das Flores
Muitos homens já passaram
Tem também duas mulheres
Que nele se destacaram
Dona Santa e Jandira
Para a história entraram.

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Partindo pra zona rural
Que já foi algodoeira
Temos imensas belezas
Do Fechado a Pitombeira
Passando pelos Macacos
Até chegar à Ipueira.

Sem esquecer o Bugi
Meu torrão primeiro
São Bento e Catolé
Entrando no Juazeiro
Agora subo pra chã
Na Serra do Cajueiro.

De tantos pontos turísticos
Que não esqueço um instante
Capim Açu e os Tanques
O Pau do Oco é brilhante
Descanso o meu cansaço
No aconchego do Mirante.

Do prédio da LBA
E o casarão italiano
Além da Rainha do Prado
Berço do povo cigano
Uma bela harmonia
Para o mestre Marciano.                     7

De Severino do Copo
Que acerta o seu destino
Marizete e Diana
Rezadeiras do Divino
Pra espinhela caída
Chame Arnaldo Firmino.

Dos políticos voluntários
Que lutaram até o fim
Entre eles se destaca
O filho de seu Joaquim
Agricultor e poeta
O inigualável Cilim.

Das vésperas de eleição
Onde tudo é decidido
No sobe e desce do povo
Num imenso alarido
Cabra jurando na fé
Que não tem voto vendido.

Da parteira Mãe Moça
Que fez crescer o Brasil
Ana Maria e Cícera
A saudosa Dona Edil
E tantas outras ilustres
Que desta terra floriu.

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Tem também Padre Sinval
Que governou com postura
Fez crescer nossa cidade
Valorizou a cultura
Um exemplo de político
À frente da prefeitura.

Lugar de peleja política
Que às vezes quebra o pau
Da velha rivalidade
Com o bicudo e o bacurau
E o que era separado
Transformou-se num mingau.

Terra de grandes valores
De Cafifi e de Birunga
João Emídio e Paizinho
Com esse povo comunga
Que ainda sente falta
Das festas de Antônio de Lunga.

De Terezinha de Jesus
Com sua voz angelical
Dos repentes de André
Que falam de bem e mal
E de Miguel Calystone
Nosso valor cultural.

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De figuras que marcaram
Nosso povo com encanto
Seu Raul puxando o fole
Vinoca com o seu canto
E as mentiras verdadeiras
De Bastião do Recanto.

Tem um grande sanfoneiro
De nome Antônio Dois Ouro
Bate sola, faz arreio
Mestre na arte do couro
Seu trabalho é para gente
Um verdadeiro tesouro.

Aqui tem homens de bem
Cada um com o seu fardo
Pra saber mais de Florânia
Não precisa jogar dardo
Basta você pesquisar
O Baú de Zé Felizardo.

Terra que acolhe o povo
E respeita a sua vez
Como esquecer Silvino
Bancário de sensatez
E ainda conterrâneo
Do grande Padre Cortez.

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Das bolachas de Camilo
Conhecido por Fon Fon
Do Beco do Passa e Fica
E do saudoso Zé Avon
Subindo mais um pouquinho
Chego à Praça Callon.

Dentro das festas juninas
Tudo era animação
Cezário o eterno noivo
Com Luzia Damião
Vamos manter minha gente
Essa linda tradição.

De um grande batalhador
Que seguiu o seu caminho
Cuidou do rico e do pobre
Sempre com igual carinho
É o nosso eterno médico
O grande mestre Nozinho.

Das festas do Reencontro
Com saudades eu relembro
Rosa de Maio e o Luar
E a festa de Novembro
No desfilar pelas ruas
Era Sete de Setembro.

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Pessoas que me marcaram
Desde o tempo de menino
Zé Turuba com seu Jipe
O doido Zé Manuíno
E os versos inspirados
No mestre João Severino.

Das serestas de Vicente
Nosso seresteiro nato
Na voz de Maria José
A saudade eu abafo
E afasto a tristeza
Nas piadas de Nonato.

De tantas outras belezas
Que ao turista encanta
Nossa linda cachoeira
No monte a Menina Santa
Do velho Alto Vermelho
E a Serra da Garganta.

Por aqui vou terminando
Essa viagem simplória
O que falei de Florânia
Ta gravada na memória
E agora registrado
Para os anais da história.

Por Domingos Toscano

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LANÇAMENTO DO CORDEL DAS COISAS DE FLORÂNIA

Capa do Cordel das Coisas de Florânia, que será lançado dia 27/01(sexta-feira), as 19h00min., durante o Sarau Cultural em homenagem ao 1º Aniversário do blog http://www.coisasdeflorania.com

Sobre meu amigo DOMINGOS TOSCANO DE MEDEIROS(Didi).                 

Nasceu em 01 de abril de 1969, na cidade de Florânia/RN, é filho de Francisco Fernandes de Azevêdo (Fernando Dois Ouro) e Cícera Toscano de Medeiros.

Começou sua vida escolar aos 7 anos de idade na Escola Isolada Dr. Getúlio Vargas no Sítio Fechado, continuou o Ensino Fundamental no Grupo Escolar Cel. Silvino Bezerra e veio a concluí-lo na Escola Senador Novaes Filho  (Recife-PE).

Cursou o Magistério na Escola Teônia Amaral.

É graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acarú.

Exerceu o cargo de Conselheiro Tutelar no triênio 2005/2007.

Atualmente é professor da rede pública no CEMEI Profº José Felício na cidade de São Vicente/RN e Leciona Geografia na Escola Nossa Senhora das Graças.

Capa – Domingos Toscano

Postagem por Junior Galdino

O CANDIDATO

FALTA POUCO MAIS DE UM ANO PARA AS ELEIÇÕES E O CLIMA JÁ ESTÁ ESQUENTANDO, É CANDIDATO PRA TUDO QUE É GOSTO. SE VOCÊ TAMBÉM TÁ PENSANDO EM ENTRAR NESSA AVENTURA ELEITOREIRA É MELHOR OUVIR PRIMEIRO ESSE POEMA DO GRANDE POETA JESSIER QUIRINO, QUE COM MUITO BOM HUMOR RELATA A MARATONA DE UM POLITICO EM CAMPANHA.

Por Domingos Toscano

PATATIVA DO ASSARÉ DAS NOSSAS COISAS

O BOI ZEBU E AS FORMIGAS

Um boi zebu certa vez
Moiadinho de suó,
Querem saber o que ele fez
Temendo o calor do só
Entendeu de demorá
E uns minuto cuchilá
Na sombra de um juazêro
Que havia dentro da mata
E firmou as quatro pata
Em riba de um formiguêro.

Já se sabe que a formiga
Cumpre a sua obrigação,
Uma com outra não briga
Veve em perfeita união
Paciente trabaiando
Suas foia carregando
Um grande inzempro revela
Naquele seu vai e vem
E não mexe com mais ninguém
Se ninguém mexe com ela.

Por isso com a chegada
Daquele grande animá
Todas ficaro zangada,
Começou a se açanhá
E foro se reunindo
Nas pernas do boi subindo,
Constantemente a subi,
Mas tão devagá andava
Que no começo não dava
Pra de nada senti.

Mas porém como a formiga
Em todo canto se soca,
Dos casco até a barriga
Começou a frivioca
E no corpo se espaiado
O zebu foi se zangando
E os cascos no chão batia
Ma porém não miorava,
Quanto mais coice ele dava
Mais formiga aparecia.

Com essa formigaria
Tudo picando sem dó,
O lombo do boi ardia
Mais do que na luz do só
E ele zangado as patada,
Mais força incorporava,
O zebu não tava bem,
Quando ele matava cem,
Chegava mais de quinhenta.

Com a feição de guerrêra
Uma formiga animada
Gritou para as companhêra:
Vamo minhas camarada
Acaba com os capricho
Deste ignorante bicho
Com a nossa força comum
Defendendo o formiguêro
Nos somos muitos miêro
E este zebu é só um.

Tanta formiga chegou
Que a terra ali ficou cheia
Formiga de toda cô
Preta, amarela e vermêa
No boi zebu se espaiando
Cutucando e pinicando
Aqui e ali tinha um moio
E ele com grande fadiga
Pruquê já tinha formiga
Até por dentro dos óio.

Com o lombo todo ardendo
Daquele grande aperreio
zebu saiu correndo
Fungando e berrando feio
E as formiga inocente
Mostraro pra toda gente
Esta lição de morá
Contra a farta de respeito
Cada um tem seu direito
Até nas leis da natura.

As formiga a defendê
Sua casa, o formiguêro,
Botando o boi pra corrê
Da sombra do juazêro,
Mostraro nessa lição
Quanto pode a união;
Neste meu poema novo
O boi zebu qué dizê
Que é os mandão do podê,
E as formiga é o povo.

Do livro Ispinho e Fulô – Patativa do Assaré

Acompanhe o texto ouvindo a voz do autor com a Banda de Forró Mastruz com Leite.

Essa é para quem gosta de poesia e justiça social.

Por Junior Galino

CONHECENDO AS CIDADES DO RIO GRANDE DO NORTE EM UM CONTO

CONHECENDO AS CIDADES DO RIO GRANDE DO NORTE EM UM CONTO

Conto Poético de Lino Sapo ( Andrelino da Silva) em homenagem e respeito a todas as Cidades que pertence ao estado do Rio Grande do Norte.
Cachoeira do Sapo/RN – 05/03/2010


Cumpade PEDRO VELHO me diga como você anda? Inda ta trabaiando muito? E como anda cumade NÍSIA FLORESTA? Caba veio tou puraqui meio perdido, é uma histórameia adoidaiada mai se o senhor me ouçar desbatarei sem arrudei. Eu vinhe pra essas bandas buscar um TOURO chamado GUAMARÉ, pra levar lá pru ALTO DO RODRIGUES. Meu patrão seu ANTÔNIO MARTINS comprou o bichinho a seu MESSIAS TARGINO, meu patrão é abastado, é um homem bom e influente, foi amigo de infânça de RUY BARBOSA. Ele vive muito bem, agora eu cumpade, é que ando com uma maruzia e uma azalação da mulinga.

Cumpade ultimamente eu ando meio os imboléus, já fiz inté prumessa e já rezei pra SÃO PEDRO, SÃO FERNANDO e inté para SÃO VICENTE, pru mode eles falar com meu BOM JESUS pra eu ter BOA SAÚDE. Asto dia eu fui ao DOUTOR SEVERIANO e ele me arreceitou um lambedor de JAÇANÃ. Inda disse mai, que era bom pra eu viajar, ir pra outros lugares, ele inté me idicou BARCELONA, MACAU, EQUADOR ou se não quisesse sair do Brasil fosse pra PORTALEGRE ou pru ESPÍRITO SANTO. Sabe o que eu fiz? Eu fui foi pro PARANÁ, mas pense cumpade cumaé pequeno, é um PARAZINHO!!. Mai purlá tem um TABOLEIRO GRANDE com uma AREIA BRANCA, bem pru lado tem uma SERRA NEGRA DO NORTE, na verdade é uma SERRINHA!, Só que lá enriba cumpade tem uma PEDRA GRANDE e é uma PEDRA PRETA e purriba dela tem uma NOVA CRUZ feita de ANGICOS. Mai lá cumpade é tão quente, tão quente que parece o ceará, um CEARÁ-MIRIM, claro.

Cumpade prosiando e atencionando as coisas purcá mai que BAÍA FORMOSA, é muita bunita. Me alembrei de seu LUIZ GOMES, ele inda mora pru trai daquelas MONTANHAS? E seu PEDRO AVELINO, ainda é morador de seu AFONSO BEZERRA? São um povo muito prestativo. Cumpade! Tou me alembrando que tenho uma conta a acertar,é umas PENDÊNCIAS com seu SEVERIANO MELO, tou só esperano baixar a IPUEIRA pra  ir cobrar meus GALINHOS que ele trouxe lá da SERRINHA DOS PINTOS. ITAJÁ na hora de a gente acabar com esse quelelé esse EXTREMOZ, esses CARNAUBAIS de desavenças,acabar de vez com essa picuinha.

Cumpade, cortei esse chãozão de uma ponta a outra, em todo canto ta uma caristia danada, as coisas tá pelo oio da cara. Cumpade vou te dizer uma sabença, do jeito que a coisa tá rumando só vai piorar, prumode de que ultimamente passei uma fome danada. O senhor me imagina que nessa sumana só comie uns peixinhos, Uns ACARI pequeno que parecia um BODÓ. PATU ver JAPI di inté a SANTO ANTÔNIO e a SÃO MIGUEL uma boa forragem pru bucho, pidi com tanta esperança que chega fechei os oios e imaginei o rango, e falei arto e GROSSOS, SÃO MIGUEL DO GOSTOSO!!!!!Mudando o prosiado o cumpade se alembra da fazenda siridó? Pois bem, tá bunita,lá fizero CURRAIS NOVOS, só de PAU DOS FERROS duro feito ASSÚ e de CARNAÚBA DOS DANTAS, lá daquela LAGOA DANTA. Cumpade foi trabaiada danada os morão foram tudim cortado pur seu FRANCISCO DANTAS e o empregado dele seu JOSÉ DA PENHA.

Cumpade ficou de primera, lá tem o mai bunito JARDIM DO SERIDÓ. O padroeiro da fazenda é um santo de casa, é SÃO JOSÉ DO SERIDÓ, e a padroeira não pudia ser de outro lugar e esculhero SANTANA DO SERIDÓ, mai dizem as más línguas, Cá pra nós,que ela num tá fazendo nenhum milagre não, tão inté quereno jogá lá no mato. Já tem inté gente chamando, ver se pode, de SANTANA DO MATO. Desse jeito tá rim já pensou cumpade, se o padroeiro não fizer milagre, e quiserem jogalo naquele CAMPO REDONDO, imagine só cumpade aquele CAMPO GRANDE, vão bem apilidar de SÃO JOSÉ DE CAMPESTRE. Magina só? Mai cumpade cum toda buniteza o lugar tá sem um pé de vida, logo adispois que seu BENTO FERNANDES bateu as botas, os filhos RAFAEL FERNANDES e RODOLFO FERNANDES quisero vender as terras, inda chegaro a vender uma parte para ALMINO AFONSO, que fez um SÍTIO NOVO, que vai do RIACHO DA CRUZ inté o MONTE DAS GAMELEIRAS. Cumpade num vendero todinha pruque seu MARCELINO VIEIRA e seu FERNANDO PEDROSA cuma era os moradores mai an tigo se intrumeteram. Tavam brabos e eles diziam: o resto vocês não vendem, o pai de vocês era um santo já esqueceram? Vocês deveriam era fazer uma igreja para o pai de vocês, pra noise as terras inda são daquele santo. E a SERRA DE SÃO BENTO ninguém toca, e do jeito que eu tou me agarru cum cobra piso inté em cascavel e CERRO CORÁ.Cumpade a confusão foi grande demai, era tanta da fofoqueira na fazenda, pisano purriba das plantas e se rindo, que parecia um JARDIM DE PIRANHAS. O qui qui foi maior quando FRUTUOSO GOMES falou que as TIMBAÚBA DOS BATISTAS tava sendo irrigado do OLHO DÁGUA DOS BORGES. Minina cumpade, quando MARTINS oiçou foi logo dizeno: quero ver irrigar lá do meu MONTE ALEGRE, pruque lá é uma LAGOA SALGADA! Nisso cumpade, chega RAFAEL GODEIRO trazendo o CORONEL EZEQUIEL e o TENENTE ANANIAS. Cumpade quando os homi chegaru, inté a CRUZETA, feita de OURO BRANCO, fincada na entrada da fazenda, num pé de BARAÚNA, ficou sem ENCANTO. O estrelado foi lo go falando: e essas mueres VIÇOSA não têm nada que VENHA VER aqui. Nesse momento cumpade, ele espiou pra eu, que me tremie todinho, logo ele cumpade que me achava caipira e só me chamava de CAIÇARA DO NORTE. Ai Ele preguntou o que é que eu fazia ali. A voz ficou entalada mai eu resmunguei tempodispois: vim rezar pra SÃO BENTO DO NORTE. Ele chega muchou e com um olhar macriado disse: aqui só tem rezatório só se for pra SÃO BENTO DO TRAIRI, vá simbora percurar outro santo. Arribe para o oeste lá tem muitos, talvez você encontre um SÃO FRANCISCO DO OESTE. Não precisou nem terminar a pronunciada, sai em t oda disparada, parecia inté que agora eu nadava e vuava que nem um CAIÇARA DO RIO DOS VENTOS.Cumpade! Cumpade! Fui muito azilado, na carreira bati num palanque que tava o GOVERNADOR DIX-SEPT ROSADO, o SENADOR ELOI DE SOUSA e mesmo na horinha que o SENADOR GEORGINO AVELINO tava se pronunciando. Quando os povos me viro nacarreira em direção ao palanque, pensava que eu ia matar os chefes políticos. Nisso o CORONEL JOÃO PESSOA me viu, no aperreio que eu tava eu nem pensava,daquele jeito eu merguiaria inté no RIO DO FOGO. Cumpade quando eu espio pru lado o MAJOR SALES e o TENENTE LAURENTINO já vinha nos meus carcanhar pega num pega.

Ai foi que eu corri, inda mai com o tiro zunindo no peduvido, pulei por riba de uns PILÕES e sai com a gota serena. Escutei na carreira quando dona LUCRÉCIA disse, é guerra, FELIPE GUERRA! Felipe venha pra casa meu fio, SÃO JOÃO DO SABUGÍ pruteja meu fio. Não parei cumpade de correr, se eles me pegam eles iam JUNDIÁ de eu. Dei um pitú nos homi e sai meio escundido pru trai de uma LAJES PINTADA, peguei um RIACHUELO e sai sem deixar ra sto. Vie de longe uma VÁRZEA e ai eu fui em busca do PORTO DO MANGUE que era menos perigoso. Quando cheguei purlá só tinha PASSAGEM na canoa TIBAU DO SUL. A TIBAU já havia saído, elas chegam em PARELHAS mas uma sai meia hora antes. Ai cumpade eu pensei desse jeito num dá, sou nortista, no sul num vou agüentar.

Então cumpade eu sai por um BREJINHO e vi um filete dágua conhecido, era do RIACHO DE SANTANA uma ÁGUA NOVA e tumei logo umas goipada. Adispois cheguei a uma BAIXA VERDE e vi muita arvures agrandaada fui andando pra lá, cumpade pense num lugar bem sombraiado paricia um JARDIM DE ANGICOS. Pensei ter escapado dos homi mai a armadia foi pior. Sai bem no meio de uma aldea dos índios JANDUIS e MOSSORÓ, continuei andano como se num tivesse percebido nada. Foi quando ouvi o pajé MAXARANGUAPE dizer pra dois índios assim: IPANGUAÇU, PARNAMIRIM corram atrás e PARAÚ e tragam para mim, eles realmente me pararu, me amarraru e me colocaru em uma LAGOA DE PEDRAS e adispois em um POÇO BRANCO. Cumpade o corpo todo tremia, a voz já não saia, os cabelu nem sentava no casco. Foi quando eu a lembrei de SANTA MARIA e do meu anjo da guarda, SÃO RAFAEL, e cumecei a rezar,nisso o pajé me olhou da cabeça aos pés e disse: UMARIZAL, TAIPÚ vá buscar CANGUARETAMA.

Cumpade pense numa agonia danada enquanto eles saia eu me borrava todo nas calças. Quando vortaru o pajé falou: veja filha se esse serve? Enquanto eu espiava aqueles cabelus e oios  pretu feito a casca de uma CARAÚBAS, ela tapava o nariz e balançava a cabeça em negação. Entonce JUCURUTU me soltou e APODI disse aqui é PASSA E FICA mai você num vai ficar. O pajé com um oiar dar uma ordem e ARÊS trai um jumento, ITAÚ inda diz: o nome dele é nema. Aí me ajuda a muntar no burro, e espanca o animal que sae em toda carreira, enquanto eles gritam aqui num é lugar pra covardes.

Cumpade o burro curria e eu agradecia pru céu, o meu estoque de santo já tinha acabado, mai inda restava alguns, então comecei a agradicer, a SÃO PAULO DO POTENGI, SÃO GONÇALO DO AMARANTE e SÃO JOSÉ DO MIPIBÚ. Fiz o sinal da SANTA CRUZ e sai me escurregando nos espinhaço do burro, que começa a desembestar e a pular devido a catinga, e eu gritano aperriado upa, upa, UPANEMA, pare meu bichinho. Nisso só ouvir a burduada cai estatelado no tronco de um pé de MACAÍBA, e ali mesmo adormecie todo duido. Acordei com o canto dum CAICÓ e dum TANGARÁ.despertei adispois de uma madorna boa e sai andano a pé com o bucho roncando que parecia um trovão, a vista já tava escura de sede, num via mai nada. Só sei que cheguei numa LAJES e caminhei até achar uma LAGOA NOVA pra me banhar, e bem na frente encontrei uma LAGOA DE VELHOS.
Pedi cumida e me derum umas GOIANINHAS, preguntei onde estava, e eles disserum na SERRA DO MEL, então sai por entre umas plantaiada que formava uma FLORÂNIA e que parecia uma VILA FLOR. Segui as abeias e achei uma JANDAIRA, e que mé, foi um SÃO TOMÉ. Rumei para o oeste e dicie a SERRA CAIADA na noite de NATAL. Foi lá que vi a beleza e a PUREZA de ALEXANDRIA, chamei um menino pru nome de IELMO MARINHO e pedi um favor. Só pra dar um recado aquela donzela que meu coração amou. Mas o minino olhou e disse: Deus que me livre meu sinhor, aquela muier bunita é fia de seu JOÃO DIAS e ele é o lampiã da regiã.

Te juro cumpade, em nome da VERA CRUZ, aquela muier inté os anjos seduz. Tudo que hoje eu mai quiria era com ela casar, e se isso um dia vier a acontecer,pode ter certeza, pra eu será o trofé do meu TRIUNFO POTIGUAR.

Acesse: http://linosapovidaeobra.blogspot.com/2010/06/biografia.html e conheça mais sobre o poeta Lino Sapo.

Por Junior Galdino