OS MENSAGEIROS DAS EMOÇÕES

Foto – Joãozinho de Manelão, operando a central de telefonia. Ao fundo Fátima de Mariano. (Arquivo pessoal Marcos Brito)

Há 13 anos era posto em extinção o serviço “delivery” de comunicação pública através da telefonia fixa do nosso município.

Comecei escrevendo essa matéria no estilo todo sistemático para homenagear o amigo Marcos Brito(Marquinho de Manelão).

Esse serviço, acima citado, era justamente a atividade do posto da antiga TELERN que possuía um posto telefônico, com várias telefonistas distribuídas nos turnos matutino, vespertino e noturno.

Foto – Antigo posto da TELERN – por Junior Galdino

O serviço funcionava da seguinte maneira: alguém que residia fora do município ligava para a central telefônica, onde hoje funciona a sede da Coordenadoria de Edemias, localizada a Rua Benjamim Cosntant, centro da cidade; a telefonista recebia a ligação, anotava o nome do(a) “ligador(a)”,o endereço da pessoa que iria receber a ligação e repassava para o mensageiro, que por sua vez, saía em disparada, pedalando uma bicicleta Monark, de cor vermelha, que pertencia à prefeitura municipal. A pessoa para a qual se destinava a ligação recebia a mensagem e corria para o posto da TELERN.

Marquinhos de Manelão foi o último mensageiro das emoções. (foto por Junior Galdino)

O posto de telefonia parecia A Divina Comédia de Dante Alighieri. Dependendo da notícia, os personagens – que atendiam ou ligavam para o telefone – passavam do inferno ao paraíso dependendo da notícia que lhe fosse dada.

Como corriam os mensageiros! Quando chegava uma ligação para Rua dos Ciganos, lá iam eles. Mal chegavam da viagem – que por sinal é muito distante – a telefonista lhe dizia “chegou outra ligação para Maria lá na Rua dos Ciganos”. Lá iam eles mais uma vez, na mesma pisada.

Foram muitos mensageiros e aqui ficam registrados alguns deles: Damázio, Joãozinho de Manelão, Nana de Dona Júlia, Edson Dantas, Talvaci, Dedé Sabiá e Marquinhos de Manelão.

Faziam parte do quadro das telefonistas: Fátima de Mariano, Gorete Batista, Fátima de Chaguinha, Nízia de Zé Galego, Edna de Joãozinho dos Pastéis, Jaice Meyre, Deda de Seu Chico Delmiro, Iranilda de Hermes, entre outras. Todas sempre prontas a atender as necessidades da população que mendigava por comunicação.

Durante essa época não existiam orelhões. Possuir um telefone fixo era coisa de ricão, um luxo só.

Para se ter um ideia do atraso da telefonia, em Florânia, até 1998, existiam apenas 61 aparelhos fixos, que começavam com o prefixo 435-2200(posto central da Telern) e se estendia ao 435-2261. O horário do posto começava das 7:00 às 21:00h.

Aqui fica a nossa homenagem também a todas as telefonistas e antigos mensageiros da extinta TELERN.

Texto por Junior Galdino

Abaixo um vídeo satirizando as novas tecnologias em telefonia móvel.

 

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