TEREZINHA DE JESUS E O PROJETO NORDESTE JÁ

Foto – Terezinha de Jesus

NORDESTE JÁ é o título de um disco gravado no Brasil em 1985 com o objetivo de angariar fundos para a população carente do Nordeste do país.

Imagem do compacto Projeto Nordeste Já

Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura e feminismo, um coro de 155 vozes cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We Are the World, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa.

Imagem da capa do compacto Nordeste Já

O projeto Nordeste Já abraçou a causa da seca nordestina, numa criação coletiva, surgiu o compacto com as canções Chega de Mágoa e Seca d´Água. Elogiado pela competência das interpretações individuais.

Imagem da contra-capa do compacto Nordeste Já

Dentre os intérpretes, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan, Rita Lee, Gonzaguinha, Elba Ramalho, Fafá de Belém, Tim Maia, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Simone, Elizete Cardoso, Chico Buarque, Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso, e Fagner reuniram-se no Rio de Janeiro. O disco foi lançado pela CBS/Coomusa (Sony Music), em 1985.

Pequeno grupo dos 155 artistas do Projeto Nordeste Já

A cantora floraniense,TEREZINHA DE JESUS, também fez parte desse movimento e dessa história.

Confira o vídeo abaixo.

Música – SECA D’ÁGUA
Criação coletiva sobre poema de Patativa do Assaré
Gravadora: CBS/Coomusa – Sony Music
Lançamento: 1985 (Compacto Simples)

Fonte de pesquisa wikipédia

Por Junior Galdino

Anúncios

TEREZINHA DE JESUS

Essa é pra matar a saudade da cantora floraniense Terezinha de Jesus, para os que não conhecem tai uma boa oportunidade de curtir uma linda música através de uma voz maravilhosa.

Por Domingos Toscano

O RETORNO DA DIFUSORA – A VOZ DO MUNICÍPIO

Nos anos 70 e início dos anos 80, surgem e funcionam outras difusoras como a da Matriz de São Sebastião e o Serviço de Som Ave-Maria (de propriedade particular do saudoso Pe. Sinval). Todavia, com características e sucessos peculiares para cada seguimento ao qual se destinavam cada difusora dessa época. Esse também foi um período que marcou muito os floranienses.

Em meados dos anos 80, a prefeitura municipal reabre a DIFUSORA MUNICIPAL com o programa Ofertas Musicais.

Foto – Equipamentos utilizados no Cinema do Padre.

Desta vez a televisão, o rádio e o Cinema Pio XI (o Cinema do Padre) já faziam parte do cotidiano sociocultural floraniense. Mesmo assim a Difusora ganhou novamente notoriedade entre a população. Foram permanecidos os programas Ofertas Musicais e Oferecimentos do Dia, além de prestação de utilidade pública. O programa Astros Que Brilham não voltou mais a ser exibido nessa nova programação.

Imagem retirada do Jornal Bugi de outubro de 1980.

Nos bastidores da comunicação, nesse retorno da Difusora, estavam Seu Manoel Nazareno, auxiliado por sua filha Maria das Graças, os locutores Reginaldo Toscano (Réu como é conhecido), Leniel Fernandes (hoje Leniel Produções) e a inconfundível Francisca Costa (Cocota), que sempre estava sendo auxiliada por Deda de Seu Chico Delmiro, Betinha Rozendo e Iara Cruz.

Foto montagem dos locutores: Cocota, Zé Damasceno, Reginaldo Toscano, Leniel Fernandes e Seu Manoel Nazareno.

Durante uma década, de 1984 a 1994, Seu Manoel Nazareno assumiu os trabalhos da Difusora A Voz do Município. No seu comando o programa Ofertas Musicais era apresentado diariamente das 09h00min às 10h30min. Cada oferta musical custava Cr$ 0,50 (cinquenta centavos) valor da moeda vigente na época. Toda arrecadação era revertida em benefício ao Clube de Mães Santa Inez.

Os pedidos geralmente eram escritos através de bilhetinhos. Alguns deles vinham com a escrita ruim, porém os de pedidos apaixonados eram muito bem elaborados gramaticalmente e desenhados com corações em torno das bordas do bilhete.

Os cantores mais solicitados eram: As Irmãs Galvão, Giliard, Paralamas do Sucesso, Biafra, Marquinhos Moura, Carlos Alexandre, João Mineiro e Marciano, Fernando Mendes, Roberto Carlos…

“COM VOCÊS, COCOTA! MARCANDO PRESENÇA NA VOZ DO MUNICÍPIO!”. Com esse inconfundível jargão, durante o período de 1986 a 1988, Cocota fazia a abertura do seu programa diário.

Foto – Deda de Seu Chico Delmiro(sentada), Betinha Rozendo(em pé) e Cocota lendo um oferecimento musical. (26/05/1988)

Simpatia, dinamismo e muito carisma era o segredo do sucesso no seu programa que, por sinal, era repleto de notícias, comentários, músicas oferecidas aos ouvintes e aniversariantes do dia.

Durante a época em que esteve à frente dos trabalhos da Difusora, Cocota era auxiliada por Deda de Seu Chico Delmiro, Betinha Rozendo e Iara Cruz.

O valor da música oferecida também era de Cr$ 0,50 (cinquenta centavos). Nesse período o valor do oferecimento musical era revertido para aquisição de discos/LP’s.

Uma das músicas mais pedidas e executadas era Meu Mel, do cantor Marquinhos Moura. “Meu mel não diga a Deus. Eu tenho tanto medo…” Todo jovem, adolescente ou casal apaixonado da época sabia, e tenho certeza de que sabe, até hoje, esse refrão que tocava demais na nossa Difusora. Outros sucessos também eram muito ouvidos como Deixa Eu Te Amar, do saudosíssimo cantor Agepê; Joana; Elba Ramalho; Beth Carvalho…

Infelizmente, hoje, não temos ao menos aquela simples, porém linda Ave-Maria lida todas as noites por Sílvio do Correio, na difusora da matriz.

Onde hoje é banheiro(porta aberta) do Mercado Municipal, funcionou a Difusora (1963 a 1969) e ao lado o antigo prédio da LBA, anos 80 e  início dos anos 90 funcionava  A Voz do Município.

Que fique aqui registrada com toda sua força nostálgica de ser, nessa página virtual e eletrônica, a nossa homenagem aos que fizeram parte dessa história magnífica e apaixonante de operar a máquina que produzia inúmeros sentimentos e grandes emoções aos floranienses.

SAI DO AR SUA DIFUSORA – A VOZ DO MUNICÍPIO!

 Por Junior Galdino

A DIFUSORA DAS NOSSAS EMOÇÕES

A máquina de produzir sentimentos e grandes emoções.

Durante décadas a cidade de Florânia/RN e suas coisas culturais eram movidas a todo vapor pela força econômica gerada pelo algodão e, no início do século XX, pelo látex da borracha de maniçoba.

 

Foto – Italiano Antônio Giffoni e ao lado Banda de Música Arnaldo Toscano (início do século XX)

Com a influência dos italianos, em especial Antônio Giffoni, Florânia conheceu a música instrumental através da criação da Banda de Música Arnaldo Toscano por Manoel Fernandes da Nóbrega, em 1898. Além da musicalidade, os italianos trouxeram para nossa pequena Flores (nome que o município de Florânia recebeu até 1943) a massa de espaguetes e macarrão, como também o comércio de tecidos e mais influência no campo político quando o seu primo José Fassanaro Pepino, italiano também, foi nomeado prefeito municipal no ano de 1930.

Devido ao município se encontrar bastante afastado geograficamente e culturalmente dos grandes centros urbanos, as novas tecnologias da época demoraram a se fixarem no meio social floraniense.

Como tantos outros lugares do Brasil, Florânia, nos anos 60, não conhecia a mais moderna das invenções, a TELEVISÃO. Mesmo assim a vida cultural do município era divertidíssima. Logicamente dentro de sua realidade interiorana e sertaneja de sua época.

Por isso, no ano de 1963, a Prefeitura Municipal de Florânia inaugurou a DIFUSORA MUNICIPAL, trazendo como locutor e apresentador o saudoso José Damasceno (Professor Zé Damasceno como ficou conhecido). A grade da programação era dividida em três programas diários: Ofertas Musicais, Aniversariantes do Dia e Astros Que Brilham.

 

Foto – Zé Damasceno operando o amplificador Philips e ao seu lado Juliêta de Abdias (Ano 1965)

Nessa época a energia elétrica de Florânia era produzida através de um grande gerador, o Motor de Augusto da Luz (outra história das nossas coisas que contaremos nesse blog). Durante a noite os casais, crianças, jovens e adultos se reuniam na Praça Getúlio Vargas (hoje Praça Pe. Cortêz), para ouvirem a programação da Difusora que era equipada por um antigo amplificador quadrado da marca Philips, um microfone de mão, uma radiola e alguns LP’s.

Todos se assentavam nos bancos da praça e ficavam antenados, digo: de “orelha em pé”, ouvindo o som, as músicas e os oferecimentos que saíam da “boca de ferro”. Ouvindo as melodias e mensagens os casais projetavam seus sonhos amorosos, as crianças seus heróis e o povo, em geral, ficava anestesiado pelo poder das palavras e das canções.

 

Foto montagem – Acima Praça Pe. Cortez; abaixo antigo banco da mesma praça e “boca de ferro” da antiga Difusora.

Os grandes artistas floranienses que participavam do programa Astros Que Brilham eram Dalvanir Miranda, Antônio Silva, Antônio Armando, Maria Helena Ramos de Oliveira (grande compositora de paródias políticas e carnavalescas) entre outros. E que fique registrado, grandes intérpretes do cancioneiro local.

Após 6 (seis) anos de sucesso do programa de Seu Zé Damasceno, numa noite fria de sertão, o som da Difusora não mais ecoou na “boca de ferro”. Motivo: a máquina (amplificador) havia queimado e não tinha mais conserto. Era o fim de quase uma década de sucesso popular. Aquela noite também foi tristemente inesquecível para cultura floraniense.

 

Acervo dos discos da Difusora – Casa de Cultura Popular Cônego Estanislau Piechel

Por tal e qual razão a Difusora substituiu, e muito bem, a televisão, pois naquela época, em Florânia, não existia tal equipamento”(Professor Zé Damasceno) e o brilho dos astros era produzido e reluzido por eles próprios, astros desse lugar chamado Florânia.

Por Junior Galdino