COISAS DO CARNAVAL

O carnaval chegou e logo as ruas serão invadidas pela euforia e alegria dos foliões. O colorido tem mais brilho entre plumas e paetês, seja de fantasia, abadá ou camiseta, pulando, dançando ou cantando, enfim, é a festa mais popular do Brasil.

O samba ou frevo, o simples batuque de um bombo ou tamborim fazia o homem e a mulher da cidade banhada pelos rios Rossaurubu e Quixodé caírem na folia; era o carnaval de Florânia.

No início, as brincadeiras momescas resumiam-se no uso do (talco), araruta ou maizena. O papangu, personagem característico do carnaval nordestino, enchia as ruas desde a época da Vila Flores(século XIX) até a década de 1980, usando trajes rústicos, pau e lata na mão. Os papangus eram perseguidos pelas crianças mais ousadas, pois muitas delas temiam a presença dessa figura. Lembro ainda de alguns nomes que se mascaravam e saíam pelas ruas: Dona Anita, Erinete Chaves, Mariceu, minha mãe Marizete, minhas tias Madalena, Teteu e Suli.

Ainda criança, também fui papangu junto com Dôra, Júnior Silva, Flávio José, Dedé, Giulhermina, Damiana, Maria José, Iris, Ivonete Araújo entre outros. Na brincadeira, o curioso era descobrir quem era o papangu.

Os bailes aconteciam no Grupo Escolar (hoje Palácio das Flores sede da prefeitura municipal) e depois no Clube Municipal, animado pela orquestra de frevo do município, na maioria das vezes, comandada pelo saudoso Marciano Ribeiro, como também Wilson Souza, Manoel Cícero entre outros. Com a valorização de outros ritmos, nossos bailes perderam o brilho e a animação.

Antes de 1980 os blocos tinham vida curta, como foi o caso das Ciganas, Bafo de Onça, Mandiocas e Xafurdo. Este último, depois voltou aos salões do Clube Municipal.

Em 1980 saiu no carnaval floraniense o Bloco FOGHUETE, com uma única camiseta, doada pelo Café Vencedor, e bermuda confeccionada com “tecido” adquirido na Loja de Dinucha. No período da folia a carroça do trator da Prefeitura conduzia o bloco em visitas às famílias floranienses, eram os “assaltos” regados de “sacanagem” (salsicha, queijo,azeitona) Wodka, Montila e Leite de Onça.

Em 1981 quando se discutia o carnaval, na mesa do Bar de Chaguinha, Rogério apresentou os desenhos das fantasias para o bloco, o que não agradou Maria José, uma das fundadoras do FOGHUETE, fazendo-a desistir de brincar o 2º Fogo. Por causa desse desentendimento, ela, junto com Lena, Dôra, Dedé Turuba, Edneide, Flávio e outros, fundaram o ENKRENKAS, saindo pela 1ª vez no carnaval de 1982. Outros blocos foram fundados e já não mais animam a nossa folia: Flor Folia, Casais na Folia, Manecos e Manecas, Alcooloukura,Os Minicacas, Os Macineiros na Folia, Mininus Enkrenkeiros,  Alocoomania, Kapetinhas, Xokante, Caça Cabaço, Meninus Maus, Toma Lá Da Cá, Sede Zero , Pimentinhas, Pimentas e Depois eu Digo.

Tradicionalmente, os blocos realizavam churrasco na terça-feira, nas fazendas localizadas nos arredores da cidade, e à tarde davam mais animação ao nosso carnaval.

Lembremo-nos ainda de eternos foliões que, com muita alegria, davam um colorido especial em nossos bailes: Cesário, Chico de Neci, Vuca Pereira, Vuca Freire, Gentil, Goiaba, Altina, Pimenta, Nadja Menezes, Galega, Branca Tavares, Zezé, Pe. Sinval, Seu Airton, Gilmar Bezerra, Manoel Venceslau, Pimenta, Antônio de Biu e tantos outros.

Em 1986, como presidente do Clube Municipal, eu, Josimar Tavares, junto com a diretoria desse clube, resolvemos dar mais animação e euforia ao nosso carnaval. Idealizamos a lavagem do beco, banho com água transportada por pipa, com direito a mela-mela com carvão, talco, araruta e maizena. Neste mesmo ano realizamos um grande desfile, reunindo blocos de Parelhas, São Vicente, Currais Novos, Acari, Cruzeta e Jucurutu. Cada bloco recebeu um Kit de bebidas, caldo, cachorro-quente e salgados patrocinados pelo Clube Municipal e apoiado pelo prefeito Nicomar Ramos.

O carnaval de Florânia com suas histórias e estórias recorda momentos de muita alegria nas fotos de pessoas que, ao longo do tempo, edificaram um verdadeiro patrimônio cultural sobre esta terra. Histórias que foram ornamentadas pelo Bugi Vermelho e que nos deixa uma enorme saudade.

Viva a folia, alegria e euforia dos foliões floranieneses.   

Texto Josimar Tavares

Fotos: Acervo Pessoal de Josimar Tavares

Postada por Junior Galdino

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